quarta-feira, 4 de novembro de 2009

PROERD RETROCEDE

O coronel Mário Sérgio de Brito Duarte atualmente só lê o blog Praças da PMERJ, conforme já disse em mais de uma entrevista. O que não entendo é que nas mesmas entrevistas ele afirma não dar trela para denúncias anônimas - algo que tem de sobra no blog supracitado.
Espero que este que é um dos melhores oficiais da PMERJ volte a ler este blog aqui um dia para ter conhecimento de que andam vazando informações complicadas sobre o PROERD, órgão que trabalha com prevenção ao uso de drogas, principalmente com crianças da rede pública. O próprio Mário Sérgio tem um histórico de afetividade com o PROERD, ele que já deu aulas no programa.
São vários fatos um tanto incômodos. O mais recente dá conta de uma pedagoga cedida pela Secretaria Estadual de Educação que abandonou tudo sem muita explicação. A moça, chamada Edilene Maia, saiu numa sexta-feira dizendo que não voltaria.
Dias antes disso, foi defenestrada de lá a capitão Shana, competentíssima oficial do PROERD, especializada no assunto.
Em comum entre Shana e Edilene: a linda cor da pele, negra. A cor da pele de Pelé, Martin Luther King, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Barack Obama, Otis Redding, Adílio, Andrade, Jair Rodrigues, Nelson Mandela.
Espero que não tenha havido nenhum transtorno relacionado à cor da pele.
Agora, os maiores problemas do PROERD não estão aí. Ocorre que já há oficiais em Santa Catarina estudando a volta do PROERD a um modelo que já tinha sido abandonado, o modelo do DARE americano. Por esse programa do DARE, são exibidos filmes americanos, com famílias dos EUA usadas como personagens, em cenários totalmente distantes da realidade brasileira.
O pior: em um dos filmes, eles aconselham os pais a fazerem exame antidoping nos filhos. Nenhum especialista aprova esta prática. Em 2007, publiquei reportagem sobre isso no jornal O DIA. Na época, a então coordenadora, major Tania Loos, ficou um tanto aborrecida comigo. Depois eu descobri que ela mesmo não apoiava o programa, mas fez questão de se aborrecer comigo para não dar brecha para que eu falasse mais do PROERD.
A ONG responsável em Santa Catarina pelo recebimento de verbas americanas é a SOAPEN (Sociedade Amigos da polícia Militar), e esta já foi objeto de investigações conforme matéria publicada na revista Carta Capital.
Para completar, o PROERD do Rio vai usar um programa que tem parecer negativo, documentado, da própria Secretaria Nacional AntiDrogas.
Duvido que tais fatos sejam de conhecimento do comandante-geral. Este é um proerdiano convicto. Se souber, vai tomar providências.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O (i)midiatismo

Existe o imediatismo. E existe o "midiatismo". Sim, palavra que inventei. Trata-se de governar e planejar ações conforme as demandas da mídia - esta entidade pautada por mercados de consumo e massas de anunciantes. E existe o Imidiatismo, que é o imediatismo midiático, uma ânsia de se agir logo para que a mídia diga: estou satisfeita.
Os veículos de mídia costumam disputar essa primazia. Normal. Se alguém em um governo é exonerado, os veículos chamam para si a responsabilidade da exoneração porque cada um quer se mostrar mais atuante e com mais força.
Mas de vez em quando as medidas tomadas para se atender à mídia acabam se tornando inócuas com o passar do tempo. Uma dessas medidas foi tomada muito antes do atual comandante-geral da PM assumir o cargo.
Quando morreu o menino João Roberto, na Tijuca, o comando na época atendeu ao anseio da dita "sociedade civil organizada": os recrutas da PM passaram a fazer horas e horas de disparos de armamento (mais de 300 disparos de pistola e fuzil).
Na avaliação de instrutores muito sérios, foram obtidos soldados bons de tiro.
O problema vem agora: na pressa de se formar logo soldados para as UPPs e "pacificar" favelas, os novos recrutas, que estão - expressão de quem conhece o assunto - "no forno da padaria a todo vapor" estão com a brilhante perspectiva de irem para as ruas com... nenhum ou quase nenhum tiro.
Por causa daqueles gastos anteriores, a PMERJ está com pouca munição para treinamento. Tem sido priorizada a munição para, pelo menos, dar continuidade ao Programa de Capacitação Continuada (policiais que, voltando de férias, fazem Instrução de Tiro, Abordagem e Defesa Pessoal antes do efetivo retorno ao batente).
A APM D. João VI enfrenta também os mesmos problemas de falta de munição. A recarga de munição está parada.
Segundo informações de conhecedores do assunto, atualmente se usa munição comum para dar sequencia à Instrução do Programa de Capacitação Continuada.

O cobertor da Segurança Pública é muito curto. Mesmo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

16 minutos - e cai mais uma versão

16 minutos. Este foi o tempo que se passou entre o momento em que o capitão Bizarro encontra o corpo de Evandro, do AfroReggae, e o momento em que uma ambulância dos Bombeiros chega ao local.

Está registrado em um vídeo feito por uma agência bancária.

Cai a versão de que os policiais militares não chamaram socorro. Chamaram sim, e os bombeiros, quando chegaram, constataram a morte da vítima e foram embora - dali em diante seria tarefa para a perícia e o rabecão.

Quem primeiro teria dito que não houve socorro? Há quem diga que foi o secretário de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes.

Com isso, o capitão e o sargento continuam sendo acusados, sim, mas de peculato, por não cumprirem sua função pública de prender os assaltantes. Mas a omissão de socorro deixa de existir.

Ângulos diversos de uma mesma história

Um vídeo feito por uma câmera de segurança de uma agência bancária pode ser decisivo para que se entenda o capitão Bizarro como um tremendo azarado, antes de ser qualquer das coisas que têm sido atribuídas a ele. Pelo vídeo, já visto e revisto por autoridades da área de segurança, percebe-se nitidamente que era possível, para quem estava dentro da viatura da PM, passar pelo integrante do AfroReggae caído sem perceber sua presença. Pelo vídeo também, segundo me informam, é possível perceber que os policiais apenas praticaram um habitual desvio de conduta: perceberam ser o casaco e o tênis produto de roubo ("rés furtiva") e o tomaram dos assaltantes.
Não apresentaram na delegacia, ou seja, roubaram dos assaltantes.
Agora, fica mais difícil dizer que havia conluio deles com os assaltantes.
Erraram? Erraram, feio. Não se pode deixar bandido solto, em hipótese nenhuma. Mas a coisa pública respira aliviada de poder contar com a hipótese de o capitão Bizarro não ser aliado de assaltantes.
Nem mesmo cúmplice de assassinato.

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O major Oderlei dos Santos é um dos oficiais mais corretos, cordiais e decentes da PMERJ. Nunca nos falamos pessoalmente, apenas pelo telefone. Mas as referências que tenho dele são as melhores possíveis. E sempre mostrou dedicação total a qualquer que fosse sua missão. Até o dia em que foi exonerado.

Quando ele disse que os dois policiais cometeram "desvio de conduta", Oderlei não estava fugindo da verdade. Foi um seríssimo desvio de conduta mesmo. Oderlei apenas foi cauteloso antes de usar a palavra crime.

A meu ver, é crime libertar bandido preso, sim.

Mas Oderlei quis esperar um pouco mais. E, no fundo, Oderlei estava apenas cumprindo um papel, como porta-voz de uma corporação que há muitos anos prefere erguer muros altos em torno de si do que resolver os próprios problemas. Quando Oderlei diz que "não são criminosos", ele não está sendo mau-caráter. De jeito nenhum. Está apenas obedecendo à ordem dos muros altos que sempre cercam a PMERJ.

Se a PMERJ só tivesse oficiais como Oderlei, poderia ser transparente e dispensar os muros. Como nem todos são iguais a ele, a PMERJ tem que cortar na própria carne, infelizmente.

Tenho certeza de que o major Oderlei jamais prestaria nenhum "desserviço à população".

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Os cortes na própria carne serão menos fundos, claro, no dia em que se resolver a questão salarial. Urgente, necessária, imprescindível.
O salário baixo não justifica atitudes como a do capitão Bizarro e sua equipe. Mas o salário baixo ajuda a explicar.
Não é possível que continuemos fingindo de cegos para esta explicação tão clara e lúcida.

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O capitão Bizarro vendia perfumes e outros cosméticos em catálogo, antes da fatalidade em que se envolveu. Para reforçar a própria renda. Será que esta é uma atividade de fachada para um negócio próspero de "roubo de casacos e tênis" ou este oficial pode ter entrado de gaiato na situação?
A dúvida é saudável. Sempre. A dúvida, seja para um lado, seja para o outro, é o que nos leva mais perto da lucidez.

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Quanto mais se quer erguer muros em volta das coisas erradas, mais as coisas erradas se aprofundam. É como querer combater incêndio com gasolina

sábado, 24 de outubro de 2009

Viagem fantástica ao mundo de Tuhu*

Quer fazer um programaço numa tarde de sábado (ou até num dia de semana mesmo) no Centro do Rio? Corre, porque até o dia 5 de janeiro a exposição Viva Villa, aberta no momento em que se completa 50 anos da morte do maestro Heitor Villa-Lobos, está lá, gratuita, no maravilhoso solar do Arquivo Nacional, onde ficava a Casa da Moeda. Para quem é carioca, mole de ir: fica ao lado do Hospital Souza Aguiar, bem em frente a uma entrada do Campo de Santana, já perto da Avenida Presidente Vargas. Dá para ir de metrô numa boa. O local, infelizmente, é meio ermo (não tivemos problemas, registre-se) para ir sábado de tarde muito a pé, mais calmo é pegar um táxi e saltar na porta.



Toda a trajetória de Villa Lobos, desde o nascimento em 1897 até a morte em 17 de novembro de 1959 está lá, magistralmente registrada numa exposição que parece ser o trabalho de uma vida. A curadoria é de Fabiano Canosa. O visitante poderá ler nos painéis detalhes maravilhosos da vida de Villa-Lobos, dar de cara com um painel gigantesco com 30 mil crianças que foram regidas pelo maestro no Estádio de São Januário, conhecer a criação do Sôdade do Cordão, o bloco carnavalesco que o maestro criou, e mergulhar nas histórias internacionais de Villa: musical na Broadway, trilha sonora para filmes, contatos com Audrey Hepburn, Anthony Perkins. Histórias deliciosas como a de Arthur Rubinstein, o pianista polonês consagrado como o maior intérprete de Chopin em todos os tempos. Num carnaval, não havendo fantasia nenhuma a mais, Villa-Lobos colocou o sisudo polonês vestido de baiana.

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Pátio do Arquivo Nacional, na Praça da República: totalmente reformado, o espaço agora é dos cariocas. Que sorte.

Depois de passar por diversos painéis, ler curiosidades, se impressionar com objetos (a reprodução da sala da casa onde Villa morou nas Laranjeiras é magistral), tudo isso ao som de diversas peças do maestro, o visitante da exposição desce ao pátio do magnífico palacete do Arquivo Nacional e procura a entrada do trenzinho caipira. Neste ponto, você já está maravilhado com a exposição, mas o trenzinho termina de encantar o visitante completamente. Em frente a cada assento, uma vidraça, dentro de vagões que reproduzem um trem com perfeição. Atrás das vidraças, filmes de época. Tive a emoção de ver um filme da década de 40 que mostrou, por breves três ou quatro segundos, o Flamengo com Domingos da Guia no alto. Impossível não reconhecer: alto, sereno, quase uma estátua de vigilante, as feições sérias e meio quadradas. Muito emocionante ver uma imagem em movimento de Domingos, eu que só conhecia suas fotos.
Por trás de duas das vidraças, a reprodução perfeita de uma floresta amazônica, dos tempos em que Villa-Lobos explorou a selva. Ali o público “desembarca” do trem e caminha sobre terra, grama, mato de verdade. Cheiros de selva, oxigênio puro, são lançados no ar. Ouve-se o canto do uirapuru. Numa pequena clareira mais iluminada, duas pequenas vitórias-régias são vigiadas por uma borboleta perfeita. Em outro vagão, imagens de Paris, da época em que o maestro viveu por lá. Tudo explicadinho em dezenas de textos bem esclarecedores. Para situar o visitante, ao longo de toda a exposição há anúncios antigos, de produtos que o tempo se encarregou de sepultar, como o óleo de fígado de bacalhau, “Bom para as creanças (sic)”.

Fiz um pequeno filme dentro do trenzinho. Não ficou muito bom, mas é mais na intenção de dar uma ideia do ambiente lá dentro. Dá para ouvir o canto dos pássaros e do uirapuru.




Uma tarde na Viva Villa faz a gente voltar a acreditar que ainda dá. Claro, depois a gente sai do local, passa no camelódromo em pleno fechamento, vê a degradação, miséria, urina, fezes humanas espalhadas, produtos piratas, barracas quebradas, fogueiras, e lembra que não está mais na Cidade Maravilhosa de Villa. Mas isto é apenas o contraponto.
A esperança ainda está lá, na História. Viva Villa.

Ah, pega aí o link para o site oficial da exposição: http://www.vivavilla.com.br/

*Tuhu, do título: apelido de infância de Villa-Lobos, porque ele ficava imitando o apito do trem. Essa eu só soube indo na exposição.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A política do tapinha nas costas

A polícia - principalmente a Polícia Militar - vive muito de simbologias. Precisa disso. Como no filme Tropa de Elite, em que uma bandeira do Bope é colocada em cima da bandeira do Brasil (gesto que não me agrada), os rituais e símbolos são altamente necessários para manter 1-Homens lutando 2-Homens ganhando pessimamente e trabalhando em condições abaixo da crítica.
Ao Estado brasileiro e ao político que o administra, tal combinação é excelente. Não onera a folha e ainda obtém um funcionário que é padrão de excelência. Ou quase. Ou quase a maioria. Sabemos que não é excelência. Mas é fato que um policial é um profissional mais qualificado. Se assim não fosse, não haveria tantos pedidos de gabinetes de deputados - todos querem policiais e não só para atividades que exigem treinamento em segurança.
O que dizer para esse profissional que ganha um salário absolutamente incompatível? Como comandá-lo? Basta supervalorizar determinados aspectos e diminuir outros. Valorize a "força" e a "honra" (sim, são qualidades dos nossos policiais), renegue a corrupção (alguns são corruptos) e os desvios de conduta.

Nesse pacto Vampeta - o Estado finge que me paga e eu finjo que trabalho - as coisas sempre acabam estourando na cara do polícia. Explode a guerra do tráfico? "Vamos mandar mais 4 mil homens", "Folgas são canceladas", "Plantão de 24 horas". Show dos Jogos Olímpicos em Copacabana? "Vamos colocar mil policiais tomando conta". Réveillon? "Esquema gigante com cinco mil policiais".

Todos, ganhando uma miséria e perdendo o direito à folga. Todos, sendo esculhambados pela população - em parte graças à propaganda péssima feita por sujeitos como os envolvidos na morte do integrante do AfroReggae. É a pior coisa de se tolerar o banditismo dentro de uma corporação importantíssima como a PMERJ: os honestos acabam "pagando" pelos desonestos perante a população que não sabe distinguir.

Mas todo este longo preâmbulo é apenas para citar o caso mais flagrante de "tapinhas nas costas" que eu já vi na PMERJ: o caso do tenente PM Alexandre Sarmento, morto em 27 de novembro de 2004 em um combate terrível em favela do Complexo de São Carlos.
Em um mês se completarão cinco anos de sua morte atroz, vitimado por um tiro de fuzil.


ATÉ HOJE, SUA FAMÍLIA NÃO RECEBEU O SEGURO DE VIDA. CINCO ANOS SE PASSARAM.


Nestes cinco anos, sua memória foi homenageada (com Justiça), a todo momento ele foi lembrado, se falou em honra, destemor, etc. Mas NÃO PAGARAM O SEGURO DE VIDA.

No caso de Sarmento, é algo em torno de R$ 20 mil. Imagine os R$ 100 mil prometidos pelo governador no ano passado? Será que pagariam?

Por isso tudo que é válido dizer: Sarmento deu sua vida. Em troca, governo e PMERJ dão tapinhas nas costas de sua família. Quero ver pagarem. Aí sim, podemos reverenciar sua memória de forma irrestrita.


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Será realizada às 10h desta sexta-feira, em Niterói, a missa de 7° dia em memória dos policiais que morreram no helicóptero abatido por traficantes no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, no último sábado. Marcos Stadler Macedo e Edney Canazaro de Oliveira não conseguiram sair da aeronave e morreram carbonizados. O cabo Izo Gomes Patrício teve 80% do corpo queimado e morreu na última segunda-feira, no Hospital da Aeronáutica. A cerimônia será no Grupamento AeroMarítimo, localizado na Rua Feliciano Sodré 275 - Niterói.


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É boa a proposta - apesar de conter um pequeno erro semântico - do deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) em relação às armas de traficantes. Segundo o projeto, quem for preso com armamento pesado (sic), como o usado por traficantes para derrubar o helicóptero da PM, terá aumentada em 2/3 a pena de 3 a 6 anos de reclusão prevista no Estatuto do Desarmamento para o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A proposta foi apresentada, na noite desta quarta-feira, na Câmara.
A lei nº 10.826, promulgada em 22 de dezembro de 2003 e que ficou conhecida como Estatuto do Desarmamento, estabeleceu (artigo 16) a pena de 3 a 6 anos de reclusão (mais multa) para o porte ilegal de armas de uso restrito. O deputado Marcelo Itagiba, em seu projeto de lei nº 6267, propõe que haja o aumento (2/3) da pena para os que forem flagrados portando armamentos pesados (sic) relacionados dentre as armas definidas pelo Exército como de uso restrito a militares e policiais.
Itagiba criticou a atual política de segurança do Rio de janeiro, que não deu continuidade à política de desarmamento da criminalidade aplicada no governo antecessor.

- Os fatos mostram que os traficantes estão, de novo, fortemente armados porque o atual governo do estado, ao invés de dar continuidade à política de desarmamento da administração anterior, quando foi quebrado o recorde de armas retiradas das mãos dos bandidos, com mais de 45 mil apreensões, preferiu enfraquecer esse tipo de ação, reduzindo as estatísticas de apreensão e permitindo que os criminosos se rearmassem novamente.


O pior de tudo é que, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), as apreensões anuais de armas no Rio foram 15.615 armas em 2003, 15.121 (2004) e 14.876 (2005), 13.312 (2006), 11.062 (2007), 9.533 (2008) e 6.111 (2009, até agosto). Ao que parece, os números só caem.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

ROGÉRIO LISBOA DIZ QUE SECRETÁRIO DE SEGURANÇA É LOUCO

Aproveita e lê na Internet porque em jornal nenhum você vai ler algo parecido ou de contundência levemente semelhante. Impressiona. Deu no site do jornalista Sidney Rezende:

O link para a matéria original está aqui.

CPI da Violência Urbana
Thiago Feres | Rio+ | 21/10/2009 18:27


Membro da Comissão Parlamentar de Inquérito de Violência Urbana da Câmara dos Deputados, o deputado federal Rogério Lisboa defendeu investimentos na área de inteligência policial para dar fim ao crime organizado que atua no Rio de Janeiro. Ele conversou com exclusividade com o SRZD e afirmou que discorda do modelo adotado pela atual gestão da secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. "Não existe inteligência no Rio. Age-se depois, nunca antes. Quando se atua assim, a exposição da população é muito maior.
O secretário José Mariano Beltrame é louco. Se ele garantiu que a inteligência sabia do ataque dos criminosos, porque não foi mobilizado um efetivo para cercar a favela e evitar a invasão?", indagou o deputado se referindo ao ataque de criminosos do Morro do São João ao Morro dos Macacos na madrugada do último sábado. A ação culminou na queda de uma aeronave da Polícia Militar e o secretário José Mariano Beltrame garantiu que o setor de inteligência obteve informações do ataque com antecedência.
O deputado Rogério Lisboa ainda defendeu a utilização de delegados e policiais mais antigos no quadro atuando no setor de inteligência da Polícia. "Não estou pregando a desqualificação da Polícia, mas são os policiais mais antigos que conhecem a bandidagem dos morros do Rio de Janeiro. O "menino" que sai da faculdade, faz uma prova e entra para a Polícia Civil como delegado, não vai conhecer maisdo crime do que um delegado que foi inspetor, já que a promoção antigamente ocorria desta forma. Eu acho que devemos renovar o quadro, mas sem abandonar a experiência" frisou.

Nesta terça-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, defendeu o uso das forças armadas fazendo a função de segurança pública no Rio de Janeiro. Sobre a afirmação, o deputado Rogério Lisboa destacou que não concorda com tropas militares exercendo atividade policial de forma permanente, mas frisou que o momento vivido pelo Rio de Janeiro exige uma medida de emergência. O membro da CPI da Violência Urbana fez duras críticas a política de segurança adotada pelo governador Sérgio Cabral e defendeu o aumento salarial da PM.

O próximo encontro da CPI deverá ocorrer ainda no mês de outubro, na Bahia. O principal objetivo da comissão é criar um fundo para segurança pública, assim como já existe para a saúde e para a educação. O primeiro estado visitado pela CPI foi justamente o Rio de Janeiro. Vários representantes da segurança pública se reuniram na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) e responderam as perguntas feitas pelo presidente da CPI, o deputado Raul Jungmann.

Sobre as declarações do deputado, a reporatagem do SRZD fez contato com a secretaria de Segurança Pública do Rio, mas o secretário José Mariano Beltrame optou por não comentar o fato e garantiu, por intermédio da sua assessoria de imprensa, que todas as questões sobre o tema já foram respondidas justamente na Alerj.

Expulsão é pouco

Expulsar estes elementos da corporação, caso seja comprovado que tomaram para si parte do produto de um assalto com morte, será muito, mas muito pouco. É preciso expulsar e prender.


RIO - Imagens captadas por câmeras de segurança de estabelecimentos no Centro do Rio mostram que os dois bandidos responsáveis pelo assalto que culminou com a morte do coordenador de projetos sociais do Grupo AfroReggae, Evandro João Silva, no último domingo, foram capturados por PMs do 13º BPM (Praça Tiradentes) segundos após o crime, mas liberados. E mais: os policiais também não prestaram socorro a Evandro. As informações são do coordenador executivo do AfroReggae, José Júnior, que viu as cenas nesta terça-feira na 1ª DP (Praça Mauá).

O comandante geral da PM, coronel Mário Sérgio, mandou prender na noite desta quarta-feira, os dois policiais militares acusados de liberar os assassinos de Evandro. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a ordem de prisão já foi cumprida no 13º BPM (Praça Tiradentes).

(...)Uma das câmeras mostra o momento exato do assalto. Evandro reagiu, brigou com os bandidos e acabou levando o tiro que culminou com a sua morte. Júnior elogiou a conduta da Polícia Civil no caso, ressaltando que acredita que os assaltantes serão localizados e presos em breve:

- Estou confiante de que o caso será resolvido em breve. E também acredito que o coronel Mário Sérgio (Duarte, comandante-geral da PM) não vai deixar barato o que esses policiais fizeram.




As imagens não deixam dúvidas, e é preciso que o corporativismo seja trabalhado de forma verdadeira: em defesa da corporação.
Não é corporativismo defender o Mal dentro de sua corporação. É conivência e contribui para o apodrecimento. Corporativismo é querer sua instituição cada vez mais livre da escória, dos ratos. A polícia merece ganhar salários muito melhores. Mas ao mesmo tempo, a polícia não merece que agentes seus tomem parte em assaltos, como aconteceu neste caso. Profundamente lamentável e decepcionante.

É possível?

As informações que chegam aqui neste blog via sistema de comments - aliado ao que foi dito pelo tenente-coronel Fernando Príncipe Martins, comandante do 6ºBPM - dão conta de uma possível movimentação de traficantes apenas no Morro São João, e não nos Macacos. Seria, segundo os visitantes do blog, uma estratégia dos bandidos: fazer os moradores do morro correrem para o asfalto, lotar as ruas, para que eles mesmos possam sair da favela.
Bom, tenho de dar crédito ao comandante e às pessoas que aqui comentam. Mas me soou inusitado, porque sair da favela se disfarçando na multidão significaria deixar fuzis para trás. Ou não?
Até agora, tudo em paz na Zona Norte. Vamos torcer para que continue assim.
O desafio do TC Príncipe é grande e ele tem capacidade para superá-lo. Depois do tiro certeiro no major Busnello no sequestrador há 15 dias, agora tem mais essa prova de fogo. Vai vencer. E correr, se Deus quiser, em direção à promoção no fim do ano.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Acampamento no meio da rua

A tensão é gigantesca na região entre o Morro dos Macacos e o Morro de São João, apesar dos esforços hercúleos do incansável major Oderlei em diminuir o pânico. Há pessoas acampadas ao longo da Avenida Marechal Rondon. Um posto de gasolina tem servido de base para quem chega perto do morro.
Neste instante, os olhos do Brasil inteiro se voltam para a Zona Norte do Rio.